Voltei a casa quando já o sol já tinha aparecido, embora escondido pelas nuvens. O que mais me apetecia naquele momento é que chovesse, chovesse tanto que eu fosse apagada pelas lágrimas do céu e pelas minhas próprias lágrimas....
Entrei, senti o calor que me pós ainda mais cansada do que já estava...Dirigi-me para o meu quarto, deitei-me no o chão, comecei a olhar para o tecto...Nos segundos em que ainda estava acordada, dediquei todas as minha forças para não pensar em nada...Como estranha é a vida... Nuns dias tento concentrar-me para virem imagens dum futuro possível à minha cabeça, e noutro dia já era capaz de dar tudo no mundo para não aparecerem imagens no cume do meu corpo...As imagens que lá apareciam eram horríveis demais para poder superá-las, e, porém já não me restavam forças para tirá-las da minha cabeça, só me restava a esperança...E não é, de facto, tudo o que nos resta a todos neste mundo cruel, onde a felicidade dos outros é construída por cima da infelicidade dos outros, onde o sorriso duns aparece criado pelo rasto de lágrimas derramadas do outrem, onde já não se sabe a linha entre o paraíso e o inferno...Parece que as pessoas procuram o Inferno...Para quê a procura longa e inútil?..As vezes a resposta está mesmo debaixo dos nossos narizes...Inferno - somos nós...
Acordei com vozes a falar...Já eram 13.43h...Dormi bastante, dormi com a roupa molhada pela chuva e ainda estava molhada...Tirei-a e vesti uma camisola desportiva e umas calças de ganga simples, umas meias e saí...Estavam dois homens desconhecidos na cozinha.
- Bom dia Dana...- a minha mãe estava num banco de cozinha, a procura de qualquer coisa nos álbuns. - Estes são os senhores de polícia, visto que até agora ela ainda não apareceu, vão começar a popularizar o seu desaparecimento...
- Ah...Bom... - eu não percebia o que se passava, nem nada já fazia sentido, só precisava de paz....Senti o meu corpo fraco e os joelhos tremeram. Vi tudo andar a volta...Tinha desmaiado...
Acordei só no dia seguinte, tinham me injectado um calmante qualquer e dormi sem sonhos a perturbarem-me. No entanto, ouvi coisas a caírem, a minha mãe a chorar desesperadamente e o meu pai a tentar consola-la...Por entre muitas frases o meu cérebro automaticamente apanhou uma...As lágrimas correram-me pela cara..."Deus?!Onde tu estas?!Não...Tu não estas comigo, não existes sequer! Odeio o mundo! Odeio a frase que acabei de ouvir... " Eu mato o sacana que tirou a inocência a minha filha! Mas porquê isto, ela não abriria a boca!..." Karina, minha maninha querida...Estava....
domingo, 3 de maio de 2009
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