- Karina! Há tantos rapazes aqui! - disse ele com uma voz irritada e agressiva. Ele passava o tempo todo a fazer cenas...Que dramático. Afinal isto não é um filme, não vale a pena dramatizar tanto.
- Pára amor! - respondeu ela. Eu tinha pena dela. Ela merecia um rapaz melhor, mas não. Iria ser fácil demais para ela. Mas doía-me o coração ao vê-la a tentar mudar uma pessoa que não se quer mudar.
No início ela não gostava muito dele, mas ela já estava farta dos rapazes que lhe fazem as vontades e começou a sair com o Nick para se divertir um pouco, mas entrou demasiado no jogo e já não consegue saír porque... Bem, o amor é assim. Também a vida é assim. Estamos constantemente a querer mais. Quanto mais temos, mais queremos e não damos o valor certo às coisas que tínhamos nas nossas mãos. Eu percebo que de uma certa maneira ela é feliz com ele, mas ele é ciumento. DEMASIADO ciumento. E isto não me agrada muito, porque preocupo-me com ela e Ciúmes são um sentimento tão forte como o Amor e o Ódio.
Há outra coisa que não gosto nele. Nick quer muitas coisas que a Karina não lhe quer dar. Não sei se é porque não quer ou é por causa da promessa que me fez quando eramos pequenas. Eu tinha 10 anos e ela 9. Karina chegou à casa muito feliz e contou-me o sucedido...Ela tinha beijado um rapaz da turma dela. Um beijo à sério. Fiquei muito triste porque queria ser a primeira, visto que sou a mais velha e então prometeu me que quando fossemos crescidas ela iria esperar que eu deixasse de ser inocente. Eu nem me lembrava da aposta, mas ela lembra-se dela até agora faz questão de a cumprir.
- Meninas, daqui a 5 minutos podem começar. - disse o Mark, o filho do gerente.
- Ok, obrigada. - disse a Fany.
- Tu vais tocar com estes “gajos” todos aqui? - perguntou o Nick.
Ela olhou para ele e dirigiu-se ao palco. Fomos atrás dela e começamos. Eu não parava de repetir os acordes e as letras na minha cabeça, estava muito nervosa, foi como se estivesse num exame que decidisse se seria feliz e completa ou não. Este nervosismo caiu quando peguei na guitarra e fiz os primeiros acordes. Na segunda música, fui-me levar pelo bom estado e apoio do público e sentia-me uma verdadeira estrela. Foi o melhor momento da minha vida. Parecia que tudo girava a nossa volta, afinal é isto, fazer o que gostamos mais e sermos reconhecidos por isto. Estava no topo de felicidade, sentia o sangue a bater cada vez mais rápido.
- Vamos festejar! Vou beber até cair hoje! - e dirigi-me ao bar e comecei a cumprir a minha palavra com os meus amigos.
Diverti-me muito nesta noite, bebi bastante pela primeira vez na minha vida. Sem suspeitas, aberta para o presente, de costas para o futuro, eu não sabia o que vinha aí.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
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